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domingo, 30 de dezembro de 2012

Palavras do Santo Padre antes da oração do Angelus

Por Felipe Viana
(Tradução: Felipe Viana)


Queridos irmãos e irmãs!

     Hoje é a festa da Sagrada Família de Nazaré. Na liturgia, a passagem do Evangelho de Lucas nos apresenta a Virgem Maria e São José que, fiéis à tradição, vão para Jerusalém para a Páscoa junto com Jesus aos 12 anos. A primeira vez em que Jesus entrou no Templo do Senhor foi 40 dias depois do seu nascimento, quando os seus pais ofereceram para ele “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2,24), isso é, o sacrifício dos pobres. “Lucas, cujo todo Evangelho é perpassado de uma teologia dos pobres e da pobreza, faz entender... que a família de Jesus foi contada entre os pobres de Israel; nos faz entender que propriamente entre eles podia amadurecer o cumprimento da promessa” (A infância de Jesus, 96). Jesus hoje está de novo no Templo, mas desta vez tem um papel diferente, que o envolve em primeira pessoa. Ele cumpre, com Maria e José, a peregrinação a Jerusalém segundo o que prescreve a Lei (cfr Es 23,17; 34,23ss), mesmo que ainda não tinha cumprido o 13º ano de idade: um sinal da profunda religiosidade da Sagrada Família. Quando, porém, os seus pais retornam para Nazaré, acontece algo inesperado: Ele, sem dizer nada, permanece na Cidade. Por três dias Maria e José o procuram e o encontram no Templo, em diálogo com os mestres da Lei (cfr Lc 2,46-47); e quando lhe pedem explicações, Jesus responde que não deviam se surpreender, porque aquele é o seu lugar, aquela é a sua casa, com o Pai, que é Deus (cfr A infância de Jesus, 143). “Ele – escreve Orígenes – professa estar no templo de seu Pai, aquele Pai que revelou a nós e do qual disse ser Filho” (Homilia sobre o Evangelho de Lucas, 18, 5). 

A preocupação de Maria e José por Jesus é a mesma de cada pai que educa um filho, o introduz na vida e para a compreensão da realidade. Hoje, portanto, é necessária uma oração especial ao Senhor por todas as famílias do mundo. Imitando a Sagrada Família de Nazaré, os pais se preocupam seriamente com o crescimento e a educação dos próprios filhos, para que amadureçam como homens responsáveis e honestos cidadãos, sem esquecer nunca que a fé é um dom precioso para alimentar nos próprios filhos também com o exemplo pessoal. Ao mesmo tempo, rezamos para que cada criança seja acolhida como dom de Deus, seja sustentada pelo amor do pai e da mãe, para poder crescer como o Senhor Jesus “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). O amor, a fidelidade e a dedicação de Maria e José sejam exemplo para todos os casais cristãos, que não são os amigos ou os mestres da vida de seus filhos, mas os guardiões deste dom incomparável de Deus. 

O silêncio de José, homem justo (cfr Mt 1,19), e o exemplo de Maria, que guardava cada coisa no seu coração (cfr Lc 2, 51) nos faça entrar no mistério pleno da fé e da humanidade da Sagrada Família. Desejo a todos as famílias cristãs viver na presença de Deus com o mesmo amor e a mesma alegria da família de Jesus, Maria e José.


Fonte: Boletim diário da Santa Sé

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Santos Inocentes

Por Felipe Viana



     A festa de hoje, instituída pelo Papa São Pio V, ajuda-nos a viver com profundidade este tempo da Oitava do Natal. Esta festa encontra o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. Quando os Magos chegaram a Belém, guiados por uma estrela misteriosa, "encontraram o Menino com Maria e, prostrando-se, adoraram-No e, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes - ouro, incenso e mirra. E, tendo recebido aviso em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: 'Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para o matar'. E ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito. E lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: 'Do Egito chamarei o meu filho'. Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e arredores, de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Então se cumpriu o que estava predito pelo profeta Jeremias: 'Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem'" (Mt 2,11-20) Quanto ao número de assassinados, os Gregos e o jesuíta Salmerón (1612) diziam ter sido 14.000; os Sírios 64.000; o martirológio de Haguenau (Baixo Reno) 144.000. Calcula-se hoje que terão sido cerca de vinte ao todo. Foram muitas as Igrejas que pretenderam possuir relíquias deles.

     Na Idade Média, nos bispados que possuíam escola de meninos de coro, a festa dos Inocentes ficou sendo a destes. Começava nas vésperas de 27 de dezembro e acabava no dia seguinte. Tendo escolhido entre si um "bispo", estes cantorzinhos apoderavam-se das estolas dos cônegos e cantavam em vez deles. A este bispo improvisado competia presidir aos ofícios, entoar o Inviatório e o Te Deum e desempenhar outras funções que a liturgia reserva aos prelados maiores. Só lhes era retirado o báculo pastoral ao entoar-se o versículo do Magnificat: Derrubou os poderosos do trono, no fim das segundas vésperas. Depois, o "derrubado" oferecia um banquete aos colegas, a expensas do cabido, e voltava com eles para os seus bancos. Esta extravagante cerimônia também esteve em uso em Portugal, principalmente nas comunidades religiosas. 

     A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de "pequenos inocentes": crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós cristãos aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

Santos Inocentes, rogai por nós!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ordenações sacerdotais na arquidiocese de Fortaleza

Por Felipe Viana


     A Arquidiocese de Fortaleza realizou no dia 21 de dezembro, na Catedral Metropolitana de Fortaleza, uma Celebração Eucarística onde foram ordenados seis novos presbíteros pela imposição das mãos e Oração Consecratória de Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, Arcebispo de Fortaleza.

     Os ordenados foram: Antony Christopher de Amorim Gadelha; Helano Samy da Silva Holanda; João Batista Aires Silva; Paulo Roberto Lima dos Reis; Zacarias Virgílio de Araújo Filho.







 
 








 
 
Fonte (texto e fotos): Arquidiocese de Fortaleza
Fonte (fotos): Facebook

Missa da Noite de Natal no Vaticano

Por Felipe Viana 



 





































Fonte: Santa Igreja 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Fotos da Posse de Dom Tarsício, Bispo Diocesano de Duque de Caxias

Por Felipe Viana


Dom Orani e Dom Mauro


Seminaristas da Diocese de Niterói 








Dom José Francisco, Arcebispo de Niterói.








Posse da Cátedra 

Dom Tarcísio dos Santos é o novo bispo de Duque de Caxias

Por Felipe Viana



     O Papa Bento XVI nomeou-o no dia, 1º de agosto de 2011, o novo bispo da Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti (RJ), Dom Tarcísio Nascentes dos Santos, transferindo-o da Diocese de Divinópolis (MG).

      Ordenado no dia 8 de dezembro de 1978, Dom Tarcísio exerceu o seu ministério sacerdotal na Arquidiocese de Niterói (RJ). Eleito bispo de Divinópolis em 11 de fevereiro de 2009, adotou o lema: Spe Salvi (Salvos pela esperança).
      
   Como terceiro bispo diocesano de Duque de Caxias, Dom Tarcísio substitui a Dom José Francisco Rezende Dias, que foi transferido pelo Papa Bento XVI para ser arcebispo de Niterói.

     O anúncio da nomeação foi feito pelo arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, ao vivo pela Rádio Catedral, estando presente o administrador diocesano de Duque de Caxias, Padre Renato Gentile, e o diretor do jornal Pilar, padre Daniel Felix. Durante o anúncio, Dom Orani entrevistou o novo bispo por telefone, dando boas-vindas em nome do Regional Leste 1 da CNBB. (Veja mensagem de Dom Orani).

     “Obrigado por aceitar ser o bispo de nossa Igreja, que há seis meses aguardávamos em oração. Somos uma Igreja jovem, que busca ser solidária com os sofrimentos do nosso povo, tão acolhedor e de muita fé. Sob seu pastoreio, caminharemos na unidade e na comunhão”, (disse padre Renato Gentile).

      Dom Tarcísio disse que recebeu a notícia de sua nomeação com temor, mas que acolhia o pedido do Santo Padre na confiança de ser confortado pelo Bom Pastor. Parafraseando Santo Agostinho: "Para vocês, sou bispo; com vocês, sou cristão", disse que chegava como o irmão caçula, contando com a graça de Deus para florir onde o Senhor lhe tinha plantado.

    “Que o Senhor me dê as graças necessárias para bem servir o povo de Deus, caminhando com a Diocese de Duque de Caxias que, embora jovem, tem uma rica história de evangelização, dando sequencia ao ministério dos meus irmãos bispos que me antecederam”, disse Dom Tarcísio. 

Currículo
     Natural de Niterói (RJ), Dom Tarcísio nasceu em 27 de fevereiro de 1954. Fez seus estudos no Seminário Menor da Arquidiocese de Niterói. Em 1972, ingressou no seminário maior da mesma arquidiocese e cursou filosofia no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Fez teologia no Seminário Maior São José, da Arquidiocese de Mariana (MG), concluindo o curso em 1978, no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Em Roma, de 1985 a 1992, fez bacharelado, mestrado e doutorado em Teologia Sistemática no Centrum Academicum Romanum Sanctae Crucis.

    Na Arquidiocese de Niterói, foi pároco das paróquias de São Domingos, em Niterói; Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema; Nossa Senhora da Conceição, em Ilha da Conceição e Nossa Senhora de Fátima, da Venda da Cruz. Foi também vigário episcopal do Vicariato Norte da Arquidiocese de Niterói.

   Além disso, foi vice-reitor, diretor espiritual e ecônomo do seminário da arquidiocese; pró-vigário geral; membro do Conselho Presbiteral, da Comissão Regional dos Presbíteros; sócio da Sociedade Brasileira de Canonistas e da Associação Nacional dos Presbíteros do Brasil. Foi professor na Faculdade de São Bento, no Rio de Janeiro, e no Instituto Filosófico e Teológico da Diocese de Nova Friburgo (RJ).

    Dom Tarcisio foi sagrado bispo em 17 de abril de 2009 pelas mãos do arcebispo de Niterói, Dom Alano Maria Pena. A posse em Divinópolis, como quarto bispo diocesano, aconteceu no dia 17 de maio do mesmo ano.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Começa julgamento de suposto colaborador do ex-mordomo do Papa

Por Felipe Viana


Claudio Sciarpelletti começou a ser julgado hoje, acusado de roubar documentos secretos do Papa Bento XVI. Técnico poderá ser condenado a um ano de prisão.



      No Vaticano, aconteceu nesta segunda-feira, 5, a primeira audiência do julgamento contra Claudio Sciarpelletti, técnico de informática da Secretária de Estado do Vaticano acusado de roubar documentos secretos do Papa Bento XVI.
     
      O italiano de 48 anos teria favorecido o crime que levou à prisão, o ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele.
     
      A próxima audiência está marcada para o próximo sábado. De acordo com as leis do Vaticano, o técnico pode ser condenado a até um ano de prisão.
 
Fonte: Portal Eclesia

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Comemoração dos Finados

Por Felipe Viana

      No dia 2 de novembro, a sagrada Liturgia se lembra de modo especial dos fiéis defuntos. Depois de ter celebrado - no dia anterior, festa de Todos os Santos - os triunfos de seus filhos que já alcançaram a glória do Céu, a Igreja dirige seu maternal desvelo para aqueles que sofrem no Purgatório e clamam com o salmista: "Tirai-me desta prisão, para que possa agradecer ao vosso nome. Os justos virão rodear-me, quando me tiverdes feito este benefício" (Sl 141, 8).


      A gênese dessa celebração está na famosa abadia de Cluny, quando seu quinto Abade, Santo Odilon, instituiu no calendário litúrgico cluniacense a "Festa dos Mortos", dando especial oportunidade a seus monges de interceder pelos defuntos, ajudando-os a alcançarem a bemaventurança do Céu.

      A partir de Cluny, essa comemoração foi-se estendendo entre os fiéis até ser incluída no Calendário Litúrgico da Igreja, tornando- se uma devoção habitual, em todo o mundo católico.
 
      Talvez o leitor, como milhares de outros fiéis, tenha o costume de visitar o cemitério nesse dia, para recordar os familiares e amigos falecidos, e por eles orar. Muitos cristãos, porém, não prestam ouvidos aos apelos de seu coração, que os move a sentir saudades de seus entes queridos e a aliviálos com uma prece. Talvez por falta de cultura religiosa, ou por falta de alguém que as incentive ou oriente, muitas pessoas nem vêem a necessidade de rezar pelas almas dos falecidos. A inúmeras outras, a existência do Purgatório causa estranheza e antipatia.

      Seja como for, tanto por amor às almas que esperam ver-se livres de suas manchas para entrarem no Paraíso, quanto para estimular em nós a caridade para com esses irmãos necessitados, como também para nosso próprio proveito, vejamos o "porquê" e o "para quê" da existência do Purgatório.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Festa de Todos os Santos

Por Felipe Viana




     Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Todos proclamavam com voz forte: "A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro". Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos e dos quatro Seres vivos e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo:"Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém".E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: "Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?"Eu respondi: "Tu é que sabes, meu senhor". E então ele me disse: "Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro".                     
                                                                                                            (Ap 7, 9-14)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Fé da Igreja, Papa na catequese semanal desta quarta-feira na Praça de São Pedro

Por Felipe Viana
(Texto original: italiano)

"A fé é virtude teologal, doada por Deus, mas transmitida pela Igreja ao longo da história", afirma Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs,

continuar em nossa jornada de meditação sobre a fé católica. Na semana passada eu mostrei como a fé é um dom, pois é Deus quem toma a iniciativa e vem ao nosso encontro, e assim também a fé é uma resposta com que nós recebê-lo como uma base estável de nossas vidas. É dom sa, que transforma as nossas vidas, porque estamos a entrar na mesma visão de Jesus, que trabalha em nós e abre-nos a amar a Deus e aos outros.

     Hoje eu gostaria de dar mais um passo em nossa reflexão, a começar de novo a partir de algumas perguntas: caráter fé só tem um pessoal, individual? Apenas interessado em mim como pessoa? Eu vivo a minha fé? Claro, o ato de fé é um ato eminentemente pessoal, que acontece no mais profundo e marca uma mudança de direção, uma conversão pessoal: é a minha vida que recebe uma vez, uma nova abordagem. Na liturgia do batismo, no tempo das promessas, o celebrante pede para manifestar a fé católica e levantou três questões: Você acredita em Deus Pai todo-poderoso? Creia em Jesus Cristo, seu único Filho? Você acredita no Espírito Santo?Nos tempos antigos, essas questões foram dirigidas pessoalmente a ele que era para ser batizado antes que emerge da água três vezes. E mesmo hoje, a resposta está no singular: "eu creio". Mas eu acredito que este não é o resultado da minha reflexão solitária, não é o produto do meu pensamento, mas é o resultado de uma relação, um diálogo em que há uma escuta, e obter uma resposta, é a comunicar-se com Jesus que me faz fora do meu "eu" fechado em mim mesmo a se abrir para o amor de Deus Pai. É como um renascimento em que me encontro unidos não só Jesus, mas também para todos aqueles que andaram e andam no mesmo caminho, e este novo nascimento, que começa com o Batismo, continua durante todo o curso da vida. Eu não posso construir a minha fé pessoal em um diálogo particular com Jesus, porque a fé é dada a mim por Deus através de uma comunidade de crentes, a Igreja, e eu, portanto, pertence à multidão de crentes em uma comunidade que não é apenas sociológica, mas radicado na 'amor eterno de Deus, que Ele mesmo é a comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é o amor trinitário. A nossa fé é muito pessoal, mesmo que seja só Comunidade: pode a minha fé, apenas se vive e se move para o "nós" da Igreja, se ela é a nossa fé, a nossa fé comum da Igreja um.

     No domingo, na missa, recitar o "eu", nos expressamos na primeira pessoa, mas como uma comunidade que confessar a fé um da Igreja. Esse "eu" pronunciado individualmente juntou à de um imenso coro, no tempo e no espaço, em que todos contribuem, por assim dizer, por uma polifonia harmoniosa na fé. O Catecismo da Igreja Católica resume de forma clara: "" Acreditar "é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e alimenta a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. "Ninguém pode dizer que tem Deus como Pai quem não tem a Igreja como Mãe" [São Cipriano] "(n. 181). Assim também a fé nasce na Igreja, que conduz a ele e vive nele. Isso é importante para se lembrar.

     No início do cristão, quando o Espírito Santo vem com poder sobre os discípulos no dia de Pentecostes - como narra o Atos dos Apóstolos (cf. 2:1-13) - início da Igreja recebe a força para levar a cabo a missão que lhe foi confiada pelo Senhor Ressuscitado espalhados em todos os cantos da Terra o evangelho, a boa notícia do Reino de Deus, e assim cada um para dirigir com ele para a fé que salva. Os Apóstolos superar todo medo de proclamar o que tinham ouvido, visto pessoa, experiente, com Jesus, pelo poder do Espírito Santo, eles começam a falar em novas línguas abertamente anunciar o mistério de que eram testemunhas. Nos Atos dos Apóstolos nos dizem então o grande discurso que Pedro pronuncia no dia de Pentecostes. Ele começa com uma passagem do profeta Joel (3:1-5), referindo-se a Jesus, e proclamando o núcleo da fé cristã: quem se beneficiou todos os que foram credenciados a Deus com milagres e sinais grandes, foi pregado e morto na cruz, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos, constituindo-lhe Senhor e Cristo. Com ele, entramos na salvação final predito pelos profetas e os que invocam o seu nome, será salvo (cf. Atos 2:17-24). Ouvindo estas palavras de Pedro, muitos se sentem pessoalmente desafiado, se arrepender de seus pecados e são batizados recebem o dom do Espírito Santo (cf. Act 2, 37-41). Assim começa o caminho da Igreja, uma comunidade que reúne este anúncio no tempo e no espaço, uma comunidade que é o Povo de Deus com base na nova aliança no sangue de Cristo, cujos membros não pertencem a um determinado grupo social ou étnico, mas são homens e as mulheres de cada nação e cultura. É um povo "católico", falando novas línguas, universalmente abrir para acolher a todos, cada divisão, quebrando todas as barreiras. São Paulo diz: "Aqui não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo é tudo em todos" ( Cl 3:11).

     A Igreja, portanto, desde o início é o lugar da fé, o lugar da transmissão da fé, o lugar onde, através do Batismo, estamos imersos no mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo, que nos liberta da escravidão do pecado e dá-nos a liberdade dos filhos e nos coloca em comunhão com o Deus Uno e Trino. Ao mesmo tempo, estamos imersos em comunhão com os outros irmãos e irmãs na fé, com todo o Corpo de Cristo, realizada diante de nosso isolamento. O Concílio Vaticano II lembra-nos: "Deus quis salvar e santificar os homens, não como indivíduos, sem qualquer ligação entre eles, mas para transformá-los em um povo que eu reconheço na verdade e lhe serve" (Constituição Dogmática. Lumen gentium , 9). Ao lembrar a liturgia do batismo, podemos constatar que, no final das promessas em que expressam a renúncia do mal e repetir "eu acho", as verdades da fé, o celebrante diz: "Esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja e nós orgulho de professá-la em Cristo Jesus nosso Senhor. " A fé é a virtude teologal dada por Deus, mas transmitida pela Igreja ao longo da história. O mesmo São Paulo, escrevendo aos Coríntios, afirma ter comunicado a eles o evangelho que por sua vez, tinha recebido (cf. 1 Cor 15:3).

     Há uma cadeia ininterrupta de vida da Igreja, a proclamação da Palavra de Deus, celebração dos sacramentos, que vem a nós e que nós chamamos de Tradição. Isso nos dá a garantia de que o que acreditamos ser a mensagem original de Cristo, pregado pelos apóstolos. O núcleo do anúncio é o evento primordial da morte e ressurreição do Senhor, da qual brota toda a herança de fé. O Conselho diz que: "A pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia ser entregue em seqüência continua até o fim dos tempos" Constituição dogmática. Dei Verbum , 8). Assim, se a Bíblia contém a Palavra de Deus, a Tradição da Igreja preserva e transmite com fidelidade, para que as pessoas de todas as idades tenham acesso a seus vastos recursos e enriquecê-lo com seus tesouros de graça. Assim, a Igreja, "em sua doutrina, em sua vida e em sua adoração transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo o que ela acredita" ( ibid. ).

     Finalmente, gostaria de salientar que é na comunidade eclesial que a fé pessoal cresce e amadurece. É interessante notar que, no Novo Testamento, a palavra "santos" se refere a cristãos como um todo e, certamente, nem todo mundo tinha as qualidades para ser declarados santos pela Igreja. O que você queria indicar, então, por este termo? O fato de que aqueles que tinham vivido e fé no Cristo ressuscitado foram chamados a tornar-se um ponto de referência para todos os outros, por isso colocá-los em contato com a pessoa ea mensagem de Jesus, que revela o rosto do Deus vivo. Isso também é verdade para nós: um cristão que é guiado e forma como a fé da Igreja, apesar de suas fraquezas, suas limitações e suas dificuldades, torna-se como uma janela aberta à luz do Deus vivo, que recebe essa luz e transmite para o mundo. Beato João Paulo II na Encíclica Redemptoris missio afirmou que "A missão renova a Igreja, revigora a fé e a identidade cristã, e oferece um novo entusiasmo e novas motivações. A fé se fortalece dando "(n. 2).

     A tendência generalizada contemporânea a relegar a fé ao âmbito privado, portanto, em contradição com sua própria natureza. Nós precisamos da Igreja para confirmar a nossa fé e de experimentar os dons de Deus, a Sua Palavra, os sacramentos, a graça e com o apoio da testemunha. Assim, o nosso "eu" no "nós" da Igreja será capaz de perceber, ao mesmo tempo, destinatário e estrela de um evento que supera: a experiência de comunhão com Deus, que estabelece a comunhão entre as pessoas. Em um mundo onde o individualismo parece regular as relações entre as pessoas, tornando-os mais frágeis, a fé nos chama a ser povo de Deus, para ser a Igreja, portadores do amor e da comunhão de Deus para toda a humanidade ( ver Constituição Pastoral. Gaudium et spes , 1). 

Obrigado pela sua atenção.

Bento XVI, que resumiu, como habitualmente, a sua catequese em várias línguas, entre as quais o português. Ouçamos…

RealAudioMP3 
Queridos irmãos e irmãs,

A fé, dom de Deus que transforma a nossa existência, não é uma realidade de caráter exclusivamente individual. O meu crer, a minha fé, não é o resultado de uma reflexão pessoal, mas o fruto de um diálogo com Jesus que se dá na comunidade de fé que é a Igreja. 

    De fato, desde o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos, a Igreja não cessa de cumprir a sua missão de levar o Evangelho a todos os cantos da terra. 

     A Igreja é o espaço da fé: o espaço no qual, pelo batismo, nos inserimos no Mistério Pascal de Cristo, entrando em comunhão com a Santíssima Trindade. Por isso, precisamos da Igreja para ter a garantia que a nossa fé corresponde à mensagem originária de Cristo, pregada pelos Apóstolos; precisamos da Igreja para poder fazer uma experiência dos dons de Deus: da sua Palavra, dos Sacramentos, da ação da Graça e do seu Amor. 

     Quando o nosso “eu” entra no “nós” da Igreja, então fazemos a experiência do comunhão com Deus, que funda a comunhão entre os homens.

Fonte: Boletim Diário da Santa Sé e Rádio Vaticano 
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